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As forças que direcionam as transformações no consumo e varejo
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As forças que direcionam as transformações no consumo e varejo

Uma tendência é uma mudança que já está em curso por meio da convergência de diferentes fatores, que todos a reconhecem, mas que está mal distribuída e que, entretanto, irá se consolidar ao longo do tempo.  A velocidade desta consolidação dependerá de inúmeros fatores. Ao contrário da moda, que é um acontecimento de curto prazo, a tendência, pode ter seu ritmo reduzido, influenciada por turbulências no seu curso, mas não deixará de ocorrer.

Por já está em curso, o risco maior é não considerá-la relevante e isto impactar a longevidade do negócio. Lembro-me aqui da velha estória: coloque um sapo em uma panela com água fria, esquente a água aos poucos e o sapo não perceberá a mudança da temperatura e morrerá. Isto também ocorre com as empresas. As transformações estão no nosso entorno, mas muitas empresas não revisitam sua missão, valores, objetivos, estratégias, pessoas (habilidades) e processos e, “repentinamente”, a empresa se depara, em alguns casos, com um cenário de difícil reversão. Portanto, as mudanças precisam ser incrementais e constantes.

Feita a introdução, podemos abordar as forças que transformam o consumo e o varejo. Compreender as demandas emergentes e latentes do consumidor/shopper é de vital importância.

Estudo realizado pela Nielsen apontou as Cinco Forças que ditam as transformações no varejo e quais são os canais mais representativos nesse contexto.

As cinco forças que mudaram a balança do poder, de forma drástica nos últimos anos e continuarão a impactar os negócios são:

A pesquisa global da Nielsen, com mais de 25 mil entrevistados com acesso à Internet em 56 países, demonstra que, na América Latina, os brasileiros são os que mais se consideram acima do peso, com 62% da população. No país, 43% se consideram um pouco acima do peso, 16% acima do peso e 3% muito acima do peso. Os colombianos são os que mais se consideram próximos do peso ideal, com 44%, e os chilenos representam a população muito acima do peso, com 8%.

Essas cinco forças impactaram o ambiente competitivo varejista, eliminaram as barreiras entre os canais, promoveram uma desconcentração geográfica da economia e consumo (das grandes cidades para as cidades médias e pequenas) e fortaleceram uma economia mais voltada para o setor de serviços nos grandes centros.

Vale destacar que temos vários fatores convergentes que vão desde a existência de vários “Brasis” com suas peculiaridades regionais e desigualdades sociais, crescimento do agronegócio, modelo de crescimento tendo como pilar o aumento do consumo, crescimento real do salário mínimo, aumento do crédito etc.Tudo isto aliado a um certo esgotamento das grandes cidades (custo imobiliário, trânsito, etc.).

Vetores do crescimento

Este “novo consumidor/shopper” tem necessidades e desejos aspiracionais e busca satisfazê-los. Assim, as ocasiões de compra convergem com essas necessidades e o formato de loja ideal dependerá da missão de compra desse consumidor/shopper. É importante considerar que o formato de loja não é um fim, mas apenas um meio. Nesse sentido, junto com as cinco forças que ditam as transformações do varejo, identificamos os vetores do crescimento, que estão relacionados com o desempenho de produtos (escolhas do consumidor/shopper) que praticidade/conveniência, fazer bem, sofisticação (qualificação do consumo e autoindulgência. 

Um consumidor urbano, com menos tempo, com mais opções, mais informado, exigente e impaciente, com famílias menores ou morando sozinho, com uma expectativa de vida ampliada, implica em decisões críticas relacionadas a estratégia e execução..

Desaceleração da economia, diferenciação, qualificação e produtividade
Embora já tenhamos sinais de uma desaceleração do consumo, as tendências apontadas anteriormente continuarão seu curso. 

Em um ambiente mais competitivo, sem fronteiras, com mais opções e muito parecidas, demandará das empresas a construção de diferenciais competitivos.

Neste contexto, além do desafio do posicionamento claro, a qualificação dos profissionais será um fator crítico para o sucesso para ampliar a produtividade.

Sortimento, mix de preço/margem, combater a ruptura ou superestocagem entre outros, serão fatores cada vez críticos para satisfazer o consumidor/shopper e ter a rentabilidade desejada. 

Para finalizar, o processo colaborativo entre indústria e varejo tende a ganhar maior relevância para a construção de diferenciação e aumentar a produtividade.