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Variedade, preço e ofertas definem compras de lácteos na América Latina
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Variedade, preço e ofertas definem compras de lácteos na América Latina

Não são recentes os trabalhos sobre a importância dos alimentos proteicos para uma alimentação saudável. Esse grupo de alimentos, produtos feitos a base de leite, é uma fonte importante para se obter nutrientes tão necessários para um bom funcionamento do organismo humano. Quando pensamos com quais alimentos podemos absorver uma boa quantidade de proteína, o exemplo mais comum é o leite UHT. 

Porém, a análise das categorias mais vendidas no varejo mostra que os alimentos feitos à base de leite tem ganhado espaço no bolso do consumidor brasileiro. Ao redor do mundo, alimentos frescos desse tipo podem representar, em média, de 30% a 60% das despesas com alimentos, mantimentos e cuidados pessoais, de acordo com o Estudo Global Fresh Foods, realizado pela Nielsen. Além de representar, aproximadamente, 10% de todo faturamento do varejo brasileiro , produtos como Leite em Pó, Iogurte, Leite Fermentado, Creme de Leite e até mesmo Requeijão tem apresentado crescimentos, mesmo em anos, de apatia econômica. 

Além de serem itens básicos para alimentação saudável, esse grupo de alimentos estimula o volume de tráfego nas lojas, pois são comprados com maior frequência. Na América Latina, a compra de produtos de laticínios acontece em média de 2 a 3 vezes por semana. No Brasil, ainda de acordo com o estudo de alimentos frescos, a Nielsen já apurou que esse número é próximo de 30% dos consumidores. 

Especificamente para produtos lácteos, os consumidores declaram escolher o tipo de loja onde encontram uma maior variedade de produtos e ofertas. Entretanto, os consumidores também definem o local de preferência de compra pela qualidade dos produtos ofertados.

No Brasil, o canal preferido para a compra de laticínios é supermercado, com 54% de preferência. O segundo canal desse ranking também é um canal de altos volumes: o hipermercado aparece com 18% de preferência. As razões para que esses dois canais despontem como primeira opção para a compra de laticínios é justamente o fato dos dois serem o que melhor entregam os apelos de ofertas e bom valor. Além disso, com uma maior área de vendas e maior número de itens comercializados, esses canais também se tornam mais competitivos por oferecer uma ampla variedade ao consumidor. 

Cenário Brasil: Lácteos imunes à desaceleração?
Em 2012, a Nielsen registrou um crescimento em volume para o grupo de alimentos lácteos de 2%. O que parece um crescimento modesto, em meio a um cenário de desaceleração econômica, ganha destaque quando comparamos com o desempenho das demais categorias que, juntas, cresceram apenas 0,3% em volume. 

Este avanço da cesta de lácteos ocorreu em intensidades diferentes entre as regiões do país, mais especificamente do Nordeste, que foi a região de destaque em crescimento em valor. O crescimento da cesta nessa região (5,6% em volume, o maior entre os mercados auditados pela Nielsen) foi motivado por mais de uma categoria. Enquanto a movimentação de volume de regiões como Minas Gerais, Espírito Santo, interior do Rio de Janeiro e Sul do país é ditada apenas pela performance da categoria de leite UHT – que é a mais importante da cesta – no Nordeste o destaque fica com uma categoria menos básica: o iogurte. Essa categoria cresceu 23% em faturamento no comparativo com o ano de 2011. 

Hoje, o Nordeste representa 21% do faturamento da categoria de iogurtes no país, e não dá sinais de diminuição desse ritmo. O crescimento da região é muito mais amplo: se o Nordeste registrou entre 1993 e 2001 uma expansão abaixo da média brasileira , em 2011, a região igualou os números do país e, nos últimos dois anos, superou o índice nacional. Fruto de uma mudança sociodemográfica, motivada não só pelas políticas assistencialistas, mas principalmente por geração de emprego e renda via investimentos governamentais e incentivos fiscais para atrair a instalação de empresas na região, que oferece uma mão de obra mais barata e que está disposta a consumir novos produtos, como é o caso de Leite Fermentado, Leite em Pó, Leite com Sabor, Creme de Leite, Sobremesas Prontas e Requeijão – todas estas categorias crescendo dois dígitos em faturamento no último ano. 

2013 promete ser um ano desafiador para a economia brasileira. Antes de chegar a sua metade, o país já vê investidores reduzindo as previsões de crescimento do PIB brasileiro, influenciadas por uma desaceleração do consumo das famílias e um desempenho negativo da produção industrial . Entretanto, permanecem positivos os indicadores de emprego e renda, ou seja, uma população com mais pessoas ocupadas e ganhando mais. Isso traz para o cenário de lácteos um prognóstico ainda otimista, apesar das pressões inflacionárias do setor. Este grupo de categorias prova seu papel não apenas na alimentação do brasileiro, mas também na sustentação das vendas do varejo mesmo em um ano difícil como esse.