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Qual propriedade saiu mais fortalecida do torneio, a seleção ou a Copa?
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Qual propriedade saiu mais fortalecida do torneio, a seleção ou a Copa?

O brasileiro tem uma relação com seu time do coração que é bastante duradoura e consistente ao longo do ano. Já em relação à Seleção, embora exista o fato de se unir todas as torcidas em apoio a uma só equipe, a proximidade torcida-time fica dependente do momento que a Seleção vive dentro de campo, além da participação em grandes campeonatos. Os principais torneios entre seleções acontecem com uma frequência bastante inferior aos campeonatos entre os clubes. A Copa do Mundo, a Copa América e as Olimpíadas, por exemplo, só acontecem a cada 4 anos, enquanto Campeonato Brasileiro, Libertadores e Mundial de Clubes são torneios anuais.

Isto é comprovado em nossa pesquisa anual Nielsen Sport Track, onde o Campeonato Brasileiro é declarado como o campeonato de futebol preferido por 63% dos entrevistados. A Copa do Mundo fica em 2º neste ranking desde 2009 (quando foi incluída esta questão na pesquisa), com a preferência de 26% dos entrevistados, em 2012. Com este resultado, fica à frente, por exemplo, de torneios como a Copa Libertadores, os estaduais e a Copa do Brasil. Além disso, os jogos da Seleção têm outro atrativo: há uma menor discrepância entre os interesses masculino e feminino com o evento. Enquanto os homens consideram os jogos de futebol do seu time como a programação esportiva preferida para assistir pela TV, entre as mulheres a preferência é pelos jogos da Seleção, à frente dos jogos de seu time e de jogos da Seleção de vôlei e da Superliga de Vôlei, esporte tradicionalmente com maior público feminino.

O fato de o Brasil ser sede da próxima Copa do Mundo e, consequentemente, da Copa das Confederações, é positivo para atrair o público em relação ao evento, mas tem o porém de deixar o Brasil de fora de um torneio bastante importante, que dura praticamente 2 anos: as Eliminatórias da Copa. Por ser o país-sede, o país já tem a vaga para a Copa do Mundo garantida. Durante o período das Eliminatórias, resta ao Brasil realizar amistosos internacionais, normalmente com seleções de menor expressão, que não estejam disputando as Eliminatórias, já que as principais acabam tendo boa parte das chamadas “datas FIFA” comprometidas.

Neste cenário, as marcas que pretendem utilizar a Seleção como uma importante plataforma de marketing aguardam a chegada da Copa do Mundo para ter um momento de alto impacto em seu público. A Copa das Confederações, além de um evento-teste para os organizadores da Copa do Mundo, é também um excelente teste para as marcas. Esperava-se que o público brasileiro, apaixonado pelo futebol, abraçasse o torneio e sua Seleção, empurrando-a em torneio bastante complicado, que envolvia a campeã do mundo e os campeões de cada continente. O Brasil figurava, antes do torneio, em sua pior posição no ranking da FIFA em toda a história: 22ª colocação, atrás de equipes como Bósnia, Gana e Suíça. O que se viu durante as Copa das Confederações, surpreendeu até o brasileiro mais otimista: Brasil campeão com 5 vitórias em 5 jogos, vencendo a campeã do mundo Espanha na final, por 3×0. Com a vitória, o Brasil voltou ao Top10, saltando para a 9ª colocação.

Já fora de campo, o torneio foi marcado pelas manifestações que se iniciaram em protestos contra aumentos nas tarifas de ônibus, mas que acabaram envolvendo temas muito maiores, como corrupção, condições precárias dos serviços públicos e até a organização da Copa. Segundo o estudo State of Nation, realizado pela Nielsen Sports em Julho/Agosto de 2012 em 10 capitais brasileiras, 80% das pessoas se declaravam a favor da organização do torneio. Em relação ao investimento realizado, 27% dos entrevistados disseram que “trata-se de um valor muito alto, sendo que o governo tem que fazer cortes ou investir em outros assuntos de interessa da população” e apenas 10% acreditavam que “o investimento destinado para este projeto esportivo deveria ser menor que o valor que já foi determinado”. Após a realização da Copa das Confederações e as manifestações que aconteceram, trazendo o tema “investimento de dinheiro público” de volta à pauta, certamente exercerão fortes impactos nestes percentuais. Neste momento, a Nielsen Sports está em campo, realizando uma nova onda de sua pesquisa Nielsen Sport Track O tema “apoio à Copa do Mundo”, inclusive o efeito nos patrocinadores oficiais do torneio, voltarão a ser tratados, para avaliarmos o real impacto destes últimos acontecimentos. Os resultados da pesquisa serão consolidados na segunda quinzena de Agosto. 

A população demonstrou ter entendido a diferença entre a Seleção e a organização da Copa do Mundo. Algumas faixas foram vistas no estádio com dizeres como: “Esse protesto não é contra a Seleção, mas sim contra a corrupção”. Alguns jogadores, inclusive, deram declarações de apoio às manifestações, “dando para receber” o apoio do torcedor. O último mês parece mesmo ter sido o mais positivo possível para a Seleção e o mais negativo possível para a Copa do Mundo. Cabe agora aos investidores mostrarem que seu apoio à Copa do Mundo envolve algo maior, como o apoio ao esporte de maneira geral ou outras áreas de interessa da população.