Mesmo com cenário de retração, Super, Farma, C&C e E-commerce se destacam em 2018

Nosso estudo, apresentado durante a 53º Convenção ABRAS, revela novos comportamentos de consumo e pilares importantes para foco em 2019

FMCG e Varejo | 18-03-2019

O ano de 2018 fechou abaixo das expectativas de recuperação previstas. Apesar da inflação sob controle e da estabilidade das taxas de juros, o alto índice de desemprego e a renda média contraída da população ainda foram entraves para a retomada do aumento do consumo das famílias brasileiras.

De acordo com nosso estudo, divulgado na 53ª Convenção ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados), ao longo dos últimos anos, o brasileiro tem se esforçado para manter os níveis de consumo dos produtos de giro rápido (FMCG). A busca por promoções, preocupações com a saúde/bem-estar e menor lealdade às marcas e aos pontos de venda, são fatores que permeiam o dia a dia do consumidor. “Essa preocupação com o custo versus o benefício tornou o consumidor multicanal. Ou seja, dependendo da missão de compra e da disponibilidade financeira, a escolha muda”, comenta Daniel Asp, nosso Gerente de Relacionamento com o varejo.

Neste contexto, os canais Supermercados Médios (3%), Cadeias de Farmácias (3,1%), Cash&Carry (também conhecido como Atacarejo) (12,3%) e E-commerce (12%) foram os destaques em 2018.

Durante a crise econômica e sob a necessidade de otimizar gastos, os consumidores aumentaram a frequência de compra no C&C em busca de melhores preços e ofertas. Em média, 60% dos lares brasileiros, equivalente a 31,6 milhões, compraram mensalmente no canal, o que representa crescimento de 9% versus o ano anterior. “Esse é um comportamento que tende a se manter mesmo com a expectativa de retomada da economia”, comenta Daniel. Outro fator que atuou em favor do canal é a dinâmica de abertura de lojas, que aumentou mais de 50% desde 2015.

No entanto, o desempenho dos Supermercados Médios (3%) também chamou atenção. Com características de compras de reposição e maior proximidade do consumidor, é um canal que tende a seguir se desenvolvendo à medida que a renda aumente e o brasileiro volte com mais intensidade na busca por proximidade e conveniência. “Nesse ponto, as cadeias regionais têm um papel muito importante em conhecer bem seus consumidores, já que elas representam hoje 82% das lojas de Super, e contribuíram para a boa performance do formato no ano passado com abertura de lojas (38%) e crescimento orgânico (62%)”, pontua Daniel.

E-commerce e Black Friday: Outro canal que apresentou ascensão significativa foi o E-commerce, faturando R$ 53,4 bilhões no ano passado, crescimento de 12% com relação a 2017. Parte deste faturamento é referente às datas sazonais do varejo, principalmente à Black Friday, que, sozinha, obteve tíquete médio 45% maior que a média anual, e se consolida como a principal data para o varejo. Dentre as categorias que estão crescendo em pedidos durante a data estão perfumaria, cosméticos/saúde, que representam 15%. Alimentos e bebidas, ainda que com uma importância mais baixa, já responde por 2,5% do share de pedidos - o que pode indicar uma tendência para 2019.

Tanto no comércio eletrônico, quanto no varejo físico, a Black Friday continua a crescer. No varejo físico, o crescimento foi de 5%, com faturamento de R$ 3 bilhões na semana do evento. Já no e-commerce, o faturamento foi de R$ 2,6 bilhões, o equivalente a um crescimento de 23%.

Foco do varejo para 2019: De acordo com nosso estudo, alguns pilares serão essenciais para o setor em 2019:

1. Precificação inteligente: A precificação correta dos itens-chave pode significar lucratividade e, também, redução de prejuízo. A prática de descontos em itens com baixa elasticidade promocional e a perda de competitividade daqueles que deveriam ter um controle de preço mais assertivo é muito comum. Um estudo feito por nós, em 2017, avaliou em R$ 11 bi as promoções subsidiadas pelo varejo e pela indústria que não geraram vendas incrementais.

2. Relacionamento com o cliente: Os levantamentos mostram que clientes leais geram aumento de vendas entre 3% e 6%, bem como ampliam a frequência de visitas em 5%. Promoções personalizadas também resultam em um acréscimo de 4%, se comparado às promoções não personalizadas.

3. E-commerce: A cada ano se consolidando no mercado, o E-commerce tem expectativa de crescimento de 15% em 2019, chegando a R$ 61 bi até dezembro. Tendência forte neste mercado em países como Estados Unidos e Coréia do Sul, a categoria de Alimentos e Bebidas está na rota de ascensão no comércio eletrônico nacional.

“Nossos levantamentos estimam 137 milhões de pedidos, um aumento de 12% proveniente do comércio eletrônico, bem como incremento do tíquete médio em 3%, atingindo o valor de R$ 447 por compra. É com base nestes números que indicamos os três pilares como foco de atuação em 2019 para que as metas individuais sejam atingidas e resultem em um fechamento geral melhor do que vimos em 2018”, finaliza Daniel Asp.

53ª Convenção ABRAS e 31ªSuper Rio Expofood
Data: 19 a 21 de março de 2019
Local: Riocentro – Av. Salvador Allende, 6555 – Barra da Tijuca, RJ
Horários: a partir das 9h - Convenção ABRAS
A partir das 14h – Super Rio Expofood

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