Mulheres são responsáveis pelas compras em 96% dos lares

Estudo detalha o comportamento de consumo da brasileira, ainda cética em relação à melhora da economia e preocupada em reduzir gastos para controlar o orçamento

Dados Demográficos | 08-03-2019

Nosso levantamento do painel de domicílios analisou o comportamento da mulher brasileira no último trimestre de 2018. Responsáveis pela decisão de compras de abastecimento em 96% dos lares, mesmo chefiando* apenas 37% deles, as mulheres estão priorizando marcas e produtos com preços mais competitivos e ainda se preocupam com a contenção de gastos, reservando 21,2% do orçamento mensal para produtos básicos.

Dentre os gastos que mais consomem o orçamento da mulher brasileira, estão os básicos (67%), que são repartidos entre os bens de consumo de giro rápido (FMCG) (21,2%), despesas do lar (11,7%), serviços de comunicação (11%), transporte (8,7%), saúde (8,2%) e educação (7,3%). Além disso, elas chegam a gastar cerca de 50% a mais em itens de cuidados com crianças (1,2%) em comparação aos gastos dos homens.

“Tal comportamento ainda é um reflexo da crise econômica no Brasil. Dentre as mulheres entrevistadas, 60% estão céticas com relação à melhora do cenário no próximo ano, o que faz sentido quando vemos que, dos sete atributos de uma marca, os três principais motivadores para uma compra estão relacionadas ao preço, sendo eles: boa relação, qualidade ou preço (74,2%), baixo preço (63,7%) e frequência de boas promoções (32,6%)”, comenta Julia Ávila,  Gerente do nosso Painel de Consumidores.

Além disso, elas também consideram relevantes para a escolha de marcas e produtos os serviços de entrega à domicílio, a limpeza do ambiente da loja, a atenção e simpatia dos funcionários, a disponibilidade recorrente de produtos de seu interesse e as formas de pagamento aceitas. Se comparadas com os homens, estão mais dispostas a pagar mais por um produto com responsabilidade ambiental do que eles.

Com a confiança ainda abalada, as mulheres tendem a reduzir gastos para ter mais controle do orçamento mensal. Para isso, diminuem o lazer fora de casa (66%), compras de roupas (63%), substituem marcas por outras mais baratas (48%) e reduzem a utilização de gás e energia elétrica (44%). “A tendência é que estas atitudes permaneçam com as brasileiras, que aprenderam a continuar consumindo, porém fazendo escolhas que caibam no bolso”, diz Julia Ávila.

A COMPRA

No momento de efetuar a compra, as mulheres tendem a escolher o período diurno (78%) e durante a semana (58%). Para facilitar, fazem a utilização de lista de produtos (50%), no entanto, 47% delas dizem comprar mais do que o previsto quando estão na loja. Além disso, 56% comenta que anda pela loja antes de comprar e 60% delas olham os folhetos e catálogos.

As mulheres também possuem grande influência no consumo de outras pessoas, uma vez que 85% delas indicam produtos para amigos e familiares. “Devido à diminuição da confiança após a crise econômica, as mulheres aprenderam a priorizar o seu consumo e a economizar. Com esse conhecimento, elas compartilham com outras pessoas suas experiências e, assim, influenciam o consumo de terceiros”, finaliza Julia.

*responsável pelo pagamento das contas

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