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Desafio de consumidor brasileiro é equilibrar orçamento sem perder sofisticação
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Desafio de consumidor brasileiro é equilibrar orçamento sem perder sofisticação

Há alguns anos o mundo voltou seus olhos para o Brasil, graças á sua estabilidade econômica e política. Suportadas pelos fortes programas sociais do governo, os consumidores mudaram de patamar de consumo, passando a ter acesso a bens que antes não eram possíveis. Agora, eles se deparam com a era do valor agregado. Independente da classe social, o brasileiro está comprando mais e gastando uma fatia maior de sua renda com produtos premium.

Acompanhar o mercado brasileiro não é tarefa para principiantes. A complexidade da geografia, aliada à desigualdade econômica das mais elevadas do mundo, transforma o  entendimento do consumidor, do shopper e do mercado de consumo em geral o pilar de sustentação das empresas.

Categorias que entregam valor agregado, por exemplo, cresceram 9,6% no ano de 2012, se comparadas a 2011, e foram alavancadas principalmente por ações promocionais E o que são categorias que entregam valor agregado?  São aquelas que, além de se diferenciarem por inovação, trazem apelo à indulgência, justamente por intensificar o prazer, à saúde, e a outros benefícios que hoje são valorizados pelos consumidores. A tendência é cada vez mais o consumidor experimentar itens de qualidade superior. As categorias Trade Up entregam valor agregado, como é o caso de chocolates e papel higiênico que, no Brasil, receberam investimentos e conquistaram lugar de destaque nas compras dos consumidores em 2012.

O setor de chocolates do país, terceiro maior produtor do mundo, fechou 2012 com um ótimo resultado, crescimento de produção de 3,1% em relação a 2011, com 732 mil toneladas produzidas. O Brasil continua sendo o quarto maior consumidor de chocolates do mundo, com consumo per capita de 2,2 kg por ano. Há três anos era de 1,65 kg, o que mostra um cenário otimista para os próximos anos, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados – ABICAB.

Já no caso dos papeis higiênicos, de acordo com a Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), a fabricação tem crescido nos últimos anos. Em 2010, foram 905 mil toneladas e, em 2011, 971 mil toneladas, um incremento de 7,4%.

O acesso ao consumo dessas categorias tem sido impulsionado por quatro ações específicas:

  • Reduções temporárias de preços, proporcionando maior acessibilidade para as categorias de maior valor;
  • Packs promocionais, tais como “pague 1, leve 2”;
  • Brindes, que criam compras acrescentadas;
  • Embalagens de tamanho familiar e diferentes opções de nível de gasto para as categorias.

As categorias Trade Down, por sua vez, tais como café e óleos comestíveis, não implantaram a mesma estratégia e, infelizmente, tiveram menor aumento, como o consumidor brasileiro não percebe valor e estava disposto a trocar de marca para equilibrar o orçamento doméstico. 

No Brasil, de acordo com o acompanhamento normal da Nielsen, 51% de todas as categorias se enquadram na classificação de Trade Up, indicando assim a sofisticação do consumo. Essas categorias também têm implementado ações promocionais para alavancar suas vendas – e a estratégia deu certo.