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Apesar de ano turbulento, mercado livreiro cresce 4,6% em 2018
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Apesar de ano turbulento, mercado livreiro cresce 4,6% em 2018

O mercado livreiro brasileiro faturou R$1,863 bilhão em 2018, alta de 4,59% ante ao mesmo período de 2017, quando foi reportado R$1,781 bilhão. Em volume, o crescimento foi de 1,32% na mesma base de comparação, de 43.786.939 para 44.362.987. Parte do faturamento positivo pode ser explicado pela diminuição dos descontos cedidos. A média de 2018 aponta uma diminuição de 4,14% em relação ao ano anterior, com destaque para o último período, que cedeu apenas 9,43% de desconto, o menor número já reportado. Entretanto, apesar de um ano vigoroso em termos de recuperação, perdeu o ritmo em função da crise dos caminhoneiros, Copa do Mundo, eleições e crise de competidores do varejo.

Considerando o cenário macroeconômico, que ainda é de retomada do crescimento, aliada à conjuntura específica do setor, o resultado é visto com muita positividade por Ismael Borges, nosso coordenador da Nielsen Bookscan. “Diante de tudo o que vimos em 2018, qualquer crescimento, por menor que fosse, deveria ser comemorado. Porém, os resultados vieram acima da expectativa, o que mostra que, apesar de tudo, o mercado livreiro está segurando as pontas”, afirma.

O ano de 2018 foi marcado pela entrada em recuperação judicial por duas gigantes do setor, o que causou o fechamento de lojas e um enorme efeito dominó. Esse impacto fez com que o mercado questionasse os efeitos da consolidação em poucos players e o modelo de vendas por consignação, que atualmente responde por 80% das vendas – o ideal é que essa lógica fosse invertida. “A consignação é mais adequada para livros sem histórico de vendas e promoções. A regra de acerto é muito demorada, em alguns casos até um ano e isso impacta diretamente no fluxo de caixa das livrarias”, afirma.

Para se reinventar, as gigantes do setor estão direcionando seus esforços para o e-commerce, cuja estrutura é mais enxuta, o que permite a venda por preços mais competitivos, em média 10% menores. A alta de 2018, porém, foi impulsionada pelas pequenas e médias livrarias que estão sabendo aproveitar esse momento de fragilidade das gigantes das grandes companhias para se diferenciar e fidelizar o consumidor. “Quando quer fazer o que a internet faz, que é simplesmente vender, a livraria de menor porte perde porque o livro online é mais barato. O caminho, então, é oferecer uma experiência diferenciada ao consumidor”, explica. “O maior aprendizado de 2018 é a percepção de que realmente não existe crise de consumo de livros. Apesar de todos os fatores, o público consumidor/leitor buscou meios de manter a biblioteca abastecida” finaliza Ismael.

Esses são alguns dos dados do 13º Painel das Vendas de Livros no Brasil em 2018, apresentados pela Nielsen Bookscan e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL). Os números têm como base o resultado da Nielsen BookScan Brasil, que apura as vendas das principais livrarias e supermercados no país.

* T. Mercado – Período 13: 2017 (04/12 a 31/12/2017) x 2018 (03/12 a 30/12/2018) ** T. Mercado – Total WK01 / WK52: 2017 (02/01 a 31/12/2017) x 2018 (01/01 a 30/12/2018 Fonte: Nielsen | Nielsen BookScan

Metodologia

O objetivo da criação do Painel é dar mais transparência à indústria editorial brasileira. A iniciativa da parceria entre o SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) e a Nielsen disponibiliza para o setor dados atualizados que poderão contribuir nas tomadas de decisões por empresários de todos os portes.

Para a realização do Painel, os dados são coletados diretamente do “caixa” das livrarias, e-commerce e varejistas colaboradores. As informações são recebidas eletronicamente em formato de banco de dados. Após o processamento, os dados são enviados online e atualizados semanalmente.

Nielsen Bookscan é o primeiro serviço de monitoramento de vendas de livros no mundo, presente em dez países, e o resultado de seu trabalho é um forte instrumento de decisão para as editoras que trabalham com estes dados. O SNEL divulga o Painel das Vendas de Livros no Brasil a cada quatro semanas.