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Black Friday acompanhando o crescimento e as oportunidades oferecidas pelo desenvolvimento do e-commerce no Brasil
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Black Friday acompanhando o crescimento e as oportunidades oferecidas pelo desenvolvimento do e-commerce no Brasil

A Black Friday, criada nos Estados Unidos a fim de liberar estoques dos grandes varejistas e abrir espaço para a venda de novos lançamentos no Natal, ganhou relevância no Brasil, passando a vender em 2 dias do ano, 5% do faturamento total de e-commerce, segundo o Ebit | Nielsen.

A evolução do ambiente digital ampliou as opções do consumidor, proporcionando uma jornada de compra mais complexa: multicanal, multi-tela e com uma gama de sortimento muito maior. Planejamento e execução tornam-se cruciais para Fabricantes,  Varejistas e Marketplaces não queimarem margem sem necessidade e trazer retorno para o negócio. 

No Brasil, a Black Friday  saiu de um faturamento quase nulo em 2010 para um total de R$2,6 bilhões em 2018 e previsão de R$3,07 bilhões para 2019, uma alta de 18%.

Tal crescimento foi impulsionado pela confiança dos consumidores no período de descontos, que vem aumentando a cada ano. O levantamento realizado antes da chegada da data já havia indicado que o índice de pessoas que não acreditavam na veracidade dos descontos diminuiu de 41% em 2016 para 25% em 2019 e já são 85% os consumidores que declararam deixar de efetuar uma compra online para aguardar os descontos proporcionados pela data.

Outro fator que vem alavancando a consolidação do evento no Brasil se refere às ações dos varejistas, que têm se preparado melhor em relação a estoques, estrutura dos sites e aplicativos e investimento em tecnologia e publicidade para prolongar o período. Grande parte deles já identificaram a oportunidade de manter o ritmo de vendas tanto antes da data, seja adotando estratégias de “Esquenta da Black Friday”, seja a data “Single’s Day”, evento já muito tradicional no calendário chinês, quanto depois, com a “Cyber Monday” e ações como “Black Week”. 

Ascensão do consumo de Bens não-duráveis na Black Friday brasileira

A evolução do faturamento e do número de pedidos realizados via e-commerce na Black Friday brasileira está totalmente vinculada à evolução do próprio comércio eletrônico no país. Os produtos das categorias de Entretenimento (ingressos de show e cinema), Turismo/Serviço (restaurantes delivery, passagens aéreas e reservas de hotéis) e Bens Duráveis (eletrônicos, eletrodomésticos, livros, móveis) já são representativos tanto em termos de volume de vendas quanto em relação a empresas que atuam com excelência no e-commerce brasileiro. 

A partir de 2018, o brasileiro avança mais um passo na rota global do e-commerce, incluindo em sua lista de compras online também os Bens Não-Duráveis, ou FMCG, com destaque para Fraldas, Remédios, Pet Care, Bebidas, Alimentos e Perfumaria e Cosméticos, que, na Black Friday 2018, assumiu, pela primeira vez, a liderança do ranking de volume de pedidos no período, beneficiando-se da experimentação gerada pela redução de preço e da maior acessibilidade aos produtos considerados Premium. 

Papel do mobile como impulsionador das compras online

Além do maior acesso ao e-commerce, gerado pela experimentação de categorias com menor desembolso, como as de FMCG, o mobile também desempenha um papel importante para a conversão em compras na Black Friday, seja pelo crescimento da penetração dos smartphones na população brasileira, pelos avanços da tecnologia e internet móvel, seja pelo forte advento das redes sociais que deram ao consumidor mais conhecimento sobre as promoções de diversos varejistas em tempo real.

Neste ano, as vendas por dispositivos móveis, somente nos primeiros 11 dias de novembro, representaram 52,8% dos pedidos. Estar preparado para vender no mobile, por aplicativo ou pelo próprio browser, será extremamente importante para a Black Friday 2019.

Black Friday e as compras de Natal

Muito se discute sobre o quanto as vendas da Black Friday impactam de maneira negativa as vendas do Natal, pois, além de aderirem às compras durante esse período, os brasileiros têm mostrado que boa parte dessas aquisições já é pensando nas celebrações natalinas. Em 2019, 44% dos entrevistados afirmaram que o evento (em 2019,  nos dias 28 e 29 de Novembro), servirá para garantir produtos de Natal, uma alta de 3 pontos percentuais em relação a 2018, principalmente devido à proximidade de ambas as datas. 

No entanto, a Black Friday ainda é muito forte no que se refere à auto-indulgência, ou seja, a compra de produtos para uso próprio. Conforme os números, 78% pretende se auto-presentear, enquanto 29% afirma que suas compras serão destinadas à família e 20%, a presentes. 

Como se preparar para uma Black Friday de sucesso

O varejo já colocou a Black Friday na agenda e este é um evento que, para trazer resultado deve ser planejado com antecedência, acompanhando o mercado e utilizando os dados e aprendizados do ano anterior para programar as ações estratégicas e táticas, relacionadas a estoques e logística,  bem como aos investimentos em tecnologia e publicidade. 

Do lado da indústria, é fundamental seguir uma linha de planejamento coerente, selecionando os itens que serão oferecidos em seu canal próprio ou marketplace, de modo que se diferencie do que será oferecido no período do Natal. Há indústrias que optam por não oferecer lançamentos nesse período e priorizar suas vendas nas semanas prévias ao Natal, no entanto, há oportunidades de aproveitar a data para gerar experimentação e acesso a categorias consideradas premium. 

Planejamento é a palavra de ordem para a Black Friday 2019 e assim como pensar multicanal e multi-tela. Este é  um momento onde promocionar tudo de tudo não garante bons resultados, conhecer a importância das vendas mobile, saber quando os consumidores começam a comprar de fato e, por exemplo, custos de frete por região do Brasil, será o diferencial para uma boa execução.

Metodologia

SOBRE A PESQUISA DE INTENÇÃO DE COMPRA PARA A BLACK FRIDAY 2019

A pesquisa foi aplicada no mês de setembro de 2019 com os consumidores que efetuaram compras em lojas online conveniadas a Ebit|Nielsen (têm cadastro com informações verificadas).