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As seis etapas Nielsen sobre o comportamento do consumidor perante a preocupação do COVID-19
Artigo

As seis etapas Nielsen sobre o comportamento do consumidor perante a preocupação do COVID-19

Patricia Daimiel

O ser humano comporta-se de maneira insólita em momentos de crise e de alta tensão como aquele que estamos a viver neste momento. Esta mudança de paradigma reflete-se em todos os aspetos do seu dia-a-dia, e o consumo de produtos alimentares, bebidas, cuidado pessoal e cuidado do lar não é exceção.

Atualmente, observamos que a cesta de compra adquiriu moldes de sobrevivência. É uma cesta reforçada para tudo o que possa acontecer e pelo tempo que for necessário. Mas é uma cesta em evolução, que começou com alguns primeiros sintomas e foi sendo rapidamente adaptada a todas as mudanças que vivemos.

Essa evolução é marcada pela informação. A sucessão de notícias e mensagens de várias fontes que chegam aos cidadãos de uma forma tão esmagadora afeta a sua vida diária e, consequentemente, afeta comportamentos tão básicos como é o caso das compras.

Na semana em que a OMS declarou a Covid-19 como pandemia e foi anunciado o encerramento de todas as escolas, as vendas no mercado dos Bens de Grande Consumo em Portugal cresceram 65% versus o período homólogo, com especial impacto nos bens alimentares básicos de longa duração e nos produtos de cuidado do lar e higiene pessoal. Os portugueses começaram nessa semana a preparar a sua despensa e o destaque foi para as categorias mais essenciais para enfrentar esta situação. Um exemplo claro de acção-reacção.

Esta evolução do comportamento pode ser identificada com seis estágios ou níveis. Os dois primeiros teriam que ver com a saúde. No primeiro compramos proactivamente produtos relacionados com a saúde para nos ajudar a sentirmo-nos bem e confiantes. E, no segundo, entramos num modo reactivo à medida que o nosso nível de preocupação aumenta, o que se traduz na compra de desinfectante, álcool e produtos mais específicos para gerir a situação que enfrentamos.

Já numa terceira etapa, começamos a preparar a despensa fazendo compras um pouco maiores e é no quarto nível que entra a preparação para a quarentena.

Nielsen's six steps on consumer behavior

Desde 18 de março de 2020, Portugal está em Estado de Emergência, com saídas restritas para a rua e, portanto, o nosso universo é limitado a quatro paredes. Uma fortaleza forçada, que vai trazer mudanças na cesta de compras, com restrições de gastos, enquanto os consumidores vão implementar um modo de consumo mais económico e racional, que poderá também vir a ser impactado pela evolução das condições financeiras dos portugueses. No entanto, não podemos ignorar outra realidade associada à tentativa de tornar a vida em casa mais suportável. Produtos como snacks e bebidas, e até produtos de beleza, também terão um lugar em casa. A cesta de quarentena tem portanto uma parte experiencial e emocional e há aqui uma oportunidade para os fabricantes e retalhistas atingirem vendas incrementais.

A verdade é que o consumidor está preparado para “resistir” em casa. A nossa janela para o mundo serão distrações como a Netflix, as relações via Whatsapp e as compras online, que também têm vindo a crescer. E aqueles que nunca cozinharam, poderão continuar a não o fazer, pedindo ao Glovo ou ao Uber Eats o seu almoço e jantar. E assim por diante até que a crise pare e voltemos à normalidade.

A questão é: vamos voltar à normalidade? Se a crise económica nos deixar hipersensíveis ao preço, o coronavírus deixar-nos-á hipersensíveis ao cuidado pessoal? A procura por informações transparentes irá acelerar? Consumiremos mais produtos locais/nacionais? Será este o gatilho definitivo do comércio eletrónico de alimentos? Como será o novo “normal”?