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A confiança dos consumidores portugueses sobe pelo segundo trimestre consecutivo

  • O índice de confiança em Portugal foge ao pessimismo europeu e situa-se em 55 pontos no quarto trimestre face aos 53 do trimestre anterior
  •  A segurança no emprego, é a principal preocupação dos portugueses
  • 75% das pessoas acreditam que a sua economia não irá melhorar nos próximos doze meses

Lisboa, 27 de janeiro de 2015 – A sombra do pessimismo regressou à Europa embora Portugal se tenha erguido numa das grandes exceções ao aumentar o índice de confiança dos consumidores até aos 55 pontos (+ 2 p.p.) no último trimestre de 2014. É o segundo trimestre consecutivo em que o país regista uma subida, de acordo com a conclusão do mais recente Estudo Global de Confiança dos Consumidores, elaborado pela consultora Nielsen.

Segundo este estudo, Portugal é uma das doze exceções do Velho Continente onde a confiança aumentou em relação ao terceiro trimestre, enquanto em duas dezenas de mercados este índice retrocedeu. Na realidade, a confiança passou de 78 para 76 pontos.

Este aumento da confiança dos portugueses está relacionado com a evolução positiva do desemprego no país. No terceiro trimestre de 2014, últimas informações disponíveis, a taxa de pessoas desempregadas em Portugal caiu até aos 13,1 %, o que representou a sexta descida consecutiva e o nível mais baixo desde o terceiro trimestre de 2011. Tudo isto permite que a confiança em Portugal tenha melhorado substancialmente num ano, passando dos 44 pontos do último trimestre de 2013 para os já referidos 55 do fecho de 2014.

Este número, no entanto, não é suficiente para os portugueses deixarem de encarar com preocupação o mercado de trabalho. Mais concretamente, nove em cada dez pessoas considera que as perspetivas profissionais para os próximos doze meses são más ou não muito boas, face aos 10% que se mostra confiante que irá viver um bom ano a nível profissional.

Perder o emprego, preocupação nº 1

A segurança no emprego é, efetivamente, a principal preocupação dos portugueses relativamente aos próximos seis meses. 18% das pessoas entrevistadas no último Estudo Global de Confiança dos Consumidores da Nielsen assim o revela, empatadas com outras 18% que referem como inquietude principal a conciliação entre trabalho e vida pessoal.

Esta preocupação com a situação profissional constata-se na perceção dos portugueses em relação ao momento atual vivido pelo seu país, já que 81% afirma que Portugal continua em recessão face a 19% que considera já ter deixado para trás esse estado. E parece que a recessão irá continuar a acompanhar os portugueses em 2015, pois apenas uma em cada dez pessoas considera que a situação será ultrapassada ao longo dos próximos doze meses.

Também não são muito otimistas em relação à sua situação pessoal financeira. Duas em cada dez pessoas consideram efetivamente que em 2015 o estado das suas finanças será positivo, face a 75% que encara os próximos doze meses com pessimismo.

Contenção de despesas no lar

Perante esta conjuntura económica, os consumidores adotaram medidas de poupança que em alguns casos praticamente se tornaram hábitos, principalmente em tudo o que tem a ver com as faturas energéticas. Assim, sete em cada dez das pessoas entrevistadas afirmam que, relativamente ao fim de 2013, alteraram a sua forma de gastar para injetar mais poupança na economia doméstica.

Diante desta política de contenção de despesas no lar, os portugueses optam geralmente por cortar no entretenimento fora de casa ou tentar poupar no supermercado comprando marcas mais baratas, tal como afirmam mais de 60% das pessoas entrevistadas. Também preferem comprar menos roupa (60%) ou reduzir a fatura do gás e da eletricidade (59%).

No entanto, tudo indica que quando a situação económica melhorar os portugueses irão abandonar progressivamente esta contenção das despesas. No supermercado, 36% dos consumidores irá continuar a comprar marcas mais baratas, face aos 61% que já o faz atualmente. Ainda assim, onde será mais visível esta mudança de atitude é no lazer fora de casa, o que irá beneficiar diretamente o setor hoteleiro.

Quadro 1. A confiança do consumidor na Europa no quarto trimestre de 2014

Fonte: Estudo Nielsen ‘Confiança do Consumidor’

De acordo com o diretor geral da Nielsen Ibéria, Gustavo Núñez, “é preciso que as melhorias macroeconómicas cheguem aos lares e que os portugueses não só ganhem confiança como também tenham mais rendimento disponível, apesar de em Portugal o nível de confiança ser geralmente bastante baixo. No caso particular do mercado de grande consumo, e à falta de uma melhoria real de remunerações e com um consumidor tão hipersensível ao preço, as estratégias da oferta irão insistir em proporcionar preços competitivos, tendo em conta o seu caráter oportunista e a escassa fidelidade às marcas, como se pode verificar com o nível de atividade promocional, que é dos mais intensos da Europa”.

Sobre o relatório

O relatório internacional “Estudo Global de Confiança dos Consumidores” foi realizado entre os dias 10 e 28 de novembro de 2014, com a participação de mais de 30.000 consumidores online de 60 países da Ásia-Pacífico, Europa, América Latina, Médio Oriente, África e América do Norte. A amostra está segmentada em cada país por idade e sexo em função dos seus utilizadores de Internet e tem uma margem de erro máxima de ± 0.6%. Este estudo da Nielsen baseia-se no comportamento dos consumidores com acesso à Internet. As taxas de penetração de Internet variam conforme o país. A Nielsen utiliza um barómetro mínimo de penetração da Internet de 60% ou de 10 milhões de utilizadores para a sua inclusão no inquérito. O relatório global da Nielsen, que inclui este estudo sobre o índice de confiança, começou a ser elaborado em 2005.

Sobre a Nielsen

Nielsen Holdings N.V. (NYSE: NLSN) é uma empresa global de informação e medição, líder em estudos de mercado e análise do consumidor, medição de audiências de televisão e meios de comunicação, bem como em inteligência online e telefones móveis. Atualmente, a Nielsen está presente em aproximadamente uma centena de países e possui sedes em Nova Iorque (Estados Unidos) e Diemen (Holanda). Mais informação em www.nielsen.com