Enquanto a NFL se prepara para dar início a mais uma temporada, após ter batido recordes de audiência em 2025, a Nielsen lançou oficialmente a primeira edição do “Índice Nielsen Scarborough de Fãs da NFL”. Esse estudo abrangente vai além da simples contagem de pessoas para identificar onde o esporte tem maior força, revelando que os torcedores mais fervorosos dos Estados Unidos costumam estar no coração dos mercados tradicionais de médio porte.
Os dados apontam Buffalo, Kansas City e Green Bay como os três mercados mais apaixonados, seguidos de perto por Cincinnati e Filadélfia.
Ao contrário dos rankings tradicionais, que se baseiam exclusivamente em índices de audiência, a metodologia da Nielsen utiliza oito métricas distintas para capturar todo o espectro do fandom moderno: compras de roupas, níveis gerais de interesse, participação em eventos ao vivo, intenção de apostas, engajamento nas redes sociais, audiência de rádio, hábitos de streaming e audiência de TV linear.
Surge uma tendência marcante: o padrão de “mercado pequeno, lealdade concentrada”. Mercados tradicionais, como os da Divisão Norte da AFC — Cincinnati, Baltimore, Pittsburgh e Cleveland —, formam um agrupamento de alta intensidade; todos os quatro figuram entre os 10 primeiros na classificação geral, e sua força é impulsionada principalmente por fatores convencionais e locais, como rádio, TV e público presente em eventos ao vivo, em vez de apostas ou streaming.
Esse padrão se estende muito além da Divisão Norte da AFC. A audiência do rádio está especialmente concentrada: além dos “três grandes” — Buffalo, Green Bay e Kansas City —, Cleveland/Akron, Cincinnati, Minneapolis/St. Paul e Pittsburgh apresentam os índices mais altos de audiência dos jogos no rádio. A audiência da TV aberta e a cabo mostra um quadro semelhante, com Cincinnati, Minneapolis e Pittsburgh se juntando a Green Bay, Buffalo e Kansas City no topo. Esse mesmo grupo, somado a Baltimore, também domina o público presente em eventos ao vivo. Trata-se de mercados com um único time, com forte identidade local e menos opções de entretenimento concorrentes — uma combinação que eleva o engajamento per capita muito além do que o tamanho do mercado por si só poderia prever.
Filadélfia e Cincinnati conquistaram suas posições não por se destacarem em um único aspecto, mas por se destacarem em todos os aspectos. Nenhum dos dois mercados lidera de forma absoluta em um único indicador, mas ambos figuram entre os cinco primeiros em cinco das oito questões monitoradas pelo índice. É essa amplitude, e não um único aspecto de destaque, que leva as duas cidades às 5ª e 4ª posições na classificação geral — bem à frente de mercados que apresentam um único número impressionante, mas pouca consistência nos demais aspectos.
Os produtos contam sua própria história regional. Detroit (5º lugar em vestuário) e Green Bay (4º lugar) aparecem, ambas, nas compras de vestuário muito à frente do que o tamanho de seus mercados sugeriria — Detroit aproveitando o ímpeto do recente sucesso dos Lions em campo, e Green Bay contando com gerações de cultura de torcedores dos Packers, que transformaram o verde e o dourado em itens indispensáveis no guarda-roupa muito além de Wisconsin.
Por outro lado, grandes centros de mídia com diversas opções, como Nova York, Los Angeles e Miami, apresentaram desempenho abaixo do esperado. Nesses mercados saturados, a abundância de opções de entretenimento e a divisão da torcida por times costumam diluir a intensidade per capita, deixando Nova York na última posição do índice.
O estudo também destacou comportamentos digitais específicos. Enquanto Indianápolis se destacou como um mercado voltado para as redes sociais, Denver e Jacksonville apresentaram uma tendência significativa em direção ao streaming, o que sugere um público mais jovem ou mais “nativo digital”.
Seja por meio da lealdade geracional em Green Bay, do engajamento digital em Denver ou da intensidade generalizada em Filadélfia e Cincinnati, o Índice de Fandom da NFL da Nielsen Scarborough comprova que, embora a NFL seja uma potência global, sua verdadeira força reside em sua presença cultural local.




