O painel do carro passou por uma renovação digital nos últimos anos, com telas sensíveis ao toque elegantes, aplicativos por assinatura e integração avançada com smartphones. Mas, à medida que os fabricantes de equipamentos originais (OEMs) do setor automotivo decidem quais recursos manter e quais eliminar em nome do apelo visual, será que o apelo sonoro está sendo sacrificado? Em outras palavras, o rádio AM/FM tradicional ainda é uma necessidade?
Um estudo abrangente sobre o rádio automotivo, realizado pela Nielsen em parceria com a iHeart em maio de 2026, revela uma resposta contundente: o rádio não é apenas necessário, mas é uma das opções de entretenimento mais valiosas no carro. Retirar o rádio AM/FM dos veículos não é apenas uma escolha de design impopular, mas uma ameaça direta à fidelidade dos clientes e, em última instância, às vendas de veículos.
A Associação Nacional de Emissoras compartilha dessa opinião, e legisladores de ambos os partidos, a pedido de centenas de milhares de americanos, estão pressionando pela aprovação de uma lei que exija que o rádio AM seja equipamento padrão em todos os veículos motorizados novos.
Mas nossos dados mostram a determinação dos consumidores, em todos os grupos demográficos.
A demanda inegável: um recurso “indispensável”
Apesar do surgimento de opções modernas de infoentretenimento, o estudo realizado com mais de 1.000 compradores recentes e potenciais de carros destaca que o rádio tradicional continua sendo um equipamento essencial.
- O fator decisivo: cerca de metade dos entrevistados afirmou que se recusaria categoricamente a comprar um veículo que não tivesse rádio AM/FM.
- Expectativa em relação ao equipamento básico: Mais de 7 em cada 10 consumidores consideram o rádio AM/FM um recurso essencial que deveria vir de fábrica como parte do equipamento básico em todos os veículos novos. Isso coloca a importância percebida desse recurso em pé de igualdade com a integração com smartphones (Apple CarPlay/Android Auto) e significativamente à frente do rádio via satélite ou de aplicativos de música por assinatura integrados.
- Dominando o tempo de audiência: Quando se trata do comportamento real, os consumidores votam com seus controles de volume. De acordo com o estudo “Share of Ear” da Edison, referente ao primeiro trimestre de 2026, o rádio é responsável por 55% de todo o tempo dedicado ao áudio no carro. O streaming representa 16%, e o YouTube, os podcasts, o SXM e músicas próprias/audiolivros somam os 29% restantes.

O valor econômico do rádio
Para ir além das preferências superficiais, a Nielsen utilizou uma Análise Conjunta Baseada em Escolhas (CBC). Essa pesquisa também incluiu uma Análise Conjunta Baseada em Escolhas (CBC) — uma metodologia amplamente utilizada no setor automotivo, pois reflete as decisões de compra do mundo real, ao forçar os consumidores a fazerem escolhas entre recursos e preço. Essa análise corroborou as conclusões das perguntas mais diretas da pesquisa e mostra o peso considerável que os consumidores continuam a atribuir à presença do rádio AM/FM em suas decisões de compra de veículos. A tabela de classificação abaixo lista os recursos de áudio/infotainment de acordo com seu impacto nas decisões de escolha de veículo dos entrevistados e mostra que o rádio AM/FM teve o segundo maior impacto, logo atrás da integração com smartphones.

A ameaça ao valor da marca
Para as montadoras, o risco de retirar o rádio AM/FM vai além do painel de instrumentos e se estende até o pátio da concessionária. Isso pode afetar a percepção dos consumidores em relação à própria marca.
- Reação negativa à marca: Cerca de metade dos entrevistados indicou que, se um fabricante de automóveis decidisse retirar completamente o rádio AM/FM de sua linha de produtos, eles passariam imediatamente a ter uma percepção menos favorável dessa marca de carros.
- O fator idade: essa perda de valor da marca e a recusa em comprar são significativamente mais pronunciadas entre os consumidores com 55 anos ou mais, criando um grande obstáculo para as marcas que dependem de consumidores fiéis e recorrentes.
Mais do que apenas música: segurança, esportes e conexão
O que poderia explicar a lealdade contínua ao rádio AM/FM? Muitos motoristas valorizam os benefícios práticos que os aplicativos de streaming têm dificuldade em reproduzir com a mesma facilidade.
- Segurança em primeiro lugar: 8 em cada 10 entrevistados afirmam que é importante que seus veículos recebam notificações do Sistema Nacional de Alerta de Emergência, um dos principais pontos fortes do rádio. Curiosamente, esse aspecto de segurança é muito valorizado pelo público mais jovem (de 18 a 54 anos).
- Latência zero para esportes ao vivo: os resultados esportivos ao vivo são um diferencial, com 2 em cada 3 consumidores observando que a “latência zero” (a transmissão acompanhar a ação em tempo real) é importante ao acompanhar eventos esportivos no carro. Esse recurso do AM/FM é especialmente valorizado por motoristas do sexo masculino, pelo público mais jovem e pelos proprietários de veículos híbridos ou elétricos.
- Conexão local sem complicações: Mais de 3 em cada 4 compradores concordam que o rádio AM/FM é uma opção de entretenimento simples e sem complicações, além de ser uma escolha “neutra” e confiável ao viajar com amigos e familiares. 8 em cada 10 também consideram importante o rádio para acessar informações de trânsito em tempo real e notícias locais atualizadas.
O Modelo de Painel de Controle Equilibrado
Os motoristas não estão buscando um painel do tipo “ou isso ou aquilo”; eles querem um ecossistema de infoentretenimento equilibrado, com conectividade e funcionalidades integradas. O estudo revela que 4 em cada 10 motoristas priorizam conectar seu celular (via Bluetooth ou CarPlay/Android Auto) assim que entram no veículo, mas um quarto dos entrevistados ainda opta por sintonizar o rádio AM/FM como sua primeira ação.
Para os fabricantes de equipamentos originais (OEMs) que buscam garantir participação no mercado e fabricar veículos que os consumidores adorem, a lição a ser tirada dos dados da Nielsen para 2026 é clara: a inovação deve agregar valor ao painel de instrumentos, e não retirar o que os motoristas já valorizam. Manter o rádio AM/FM padrão no veículo não se resume apenas a preservar a tradição. Isso também pode ajudar a preservar o valor da marca e as vendas.



