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A vida além da COVID-19
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A vida além da COVID-19

O que os fabricantes e varejistas devem fazer a partir de agora

Analisando a ocorrência de infecções em todo o mundo e as medidas tomadas pelos governos em diferentes países para prevenir e proteger a população, a Nielsen identificou três diferentes cenários para a regeneração do mercado global. Este quadro descreve como tende a ser o estilo de vida e os comportamentos de consumo em cada um dos três cenários, com base na entrada antecipada, tardia e prolongada no “novo normal” e como a duração da quarentena tem influência no desenvolvimento econômico geral, na situação financeira do indivíduo, no mercado de trabalho, na vida social e no clima de consumo.

Se a transição para o ‘novo normal’ progredir rapidamente – até o final do terceiro trimestre de 2020 – consumidores e empresas tendem a retomar seus hábitos, padrões e comportamentos antigos em grande medida (retomar). No entanto, se os consumidores passarem mais tempo em uma situação de quarentena, digamos até o final do quarto trimestre de 2020, as conseqüências econômicas, financeiras e sociais serão maiores e novas estratégias deverão ser desenvolvidas para revitalizar o consumo e a economia (reiniciar). Se as restrições durarem de 12 a 18 meses, os governos serão forçados a compensar as graves conseqüências econômicas, financeiras e sociais e as empresas deverão repensar fundamentalmente seus portfólios de produtos para atender às mudanças nas demandas dos consumidores (reinventar).

1. Mudanças nos padrões de gastos em função da menor renda disponível

Apesar do aumento da pressão financeira e da instabilidade do emprego, nesta como em outras crises, podemos esperar que a indústria de produtos bens de consumo de giro rápido (FMCG) e, principalmente, a indústria alimentícia sejam pouco afetadas, o que a curto prazo continua sendo evidenciado por aumentos substanciais nas vendas de FMCG.

As mudanças nos padrões de consumo também afetarão a dinâmica dos canais em diferentes países, que, dependendo das restrições e da dinâmica do consumidor em cada país, pode se traduzir em viagens de compras com um maior número de produtos para abastecer a despensa do supermercado ou um aumento na frequência de compras de reposição em canais como as lojas tradicionais ou de desconto.

2. Mudança de cestas de compras no setor de bens de consumo de giro rápido (fmcg)

De acordo com o que encontramos em nossas análises mais recentes, muitos consumidores irão redistribuir seus gastos ou buscar economia em atividades fora de casa, impactando a indústria da moda, restaurantes, take-out, viagens ou férias.

Em muitos casos, essas economias estão transferindo parte desse consumo para o lar, por exemplo: o consumo de 58% dos latinos que relataram comer mais em casa e os 78% desses que pretendem continuar a fazê-lo pelo menos durante os próximos 3 meses continuarão a abrir oportunidades para as categorias de alimentos e bebidas nos próximos meses.

Ao mesmo tempo, os grupos de produtos que provavelmente estarão no segmento “luxo/indulgência” terão uma chance de crescimento adicional com base no pensamento: “Já que estou economizando dinheiro de alguma forma, pelo menos estou me oferecendo algo especial em casa” ou as mudanças nas bebidas alcoólicas que serão refletidas no “novo normal” dos encontros sociais.

Por outro lado, o comportamento de compra de produtos de Higiene & Beleza continuará a desempenhar um papel importante no consumo doméstico, porém, os momentos de consumo se transformam e geram crescimento para as categorias de cuidados pessoais, por exemplo, tinturas de cabelo que crescem como um reflexo da diminuição das visitas aos salões de beleza da região.

3. Mecanismos de mudança de preços

De acordo com um estudo recente sobre o consumidor, 57% das pessoas estão cientes dos preços que normalmente pagam. 49% dos consumidores pesquisados mencionaram que comparam os preços das marcas líderes com os de marca própria, o que mostra claramente que há uma alta sensibilidade ao preço no mercado, que foi agravada pela pandemia e permitiu a evolução acelerada de marcas próprias em muitos países da região.

Segundo Fabiola de la Portilla, Diretora Regional de Inteligência da Nielsen, “Diante da nova realidade, tanto na América Latina como no mundo inteiro, os consumidores terão uma tendência significativa de substituir as commodities por marcas próprias ou opções de preços mais baixos, portanto, as marcas corporativas terão que repensar suas estratégias promocionais e propostas de valor para incentivar a compra de produtos que não sejam commodities e justificar o preço”.

4. Valores modificados

Alguns varejistas e fabricantes no país e no exterior reagiram rapidamente às normas mais rígidas de higiene com novas ideias. Controles eletrônicos de entrada, entregas sem contato por veículos sem motorista, novos aplicativos para compras mais seguras e desinfecção de carrinhos de compras são apenas alguns exemplos.

Além disso, devido ao aumento da consciência sobre saúde e higiene, os consumidores estão cada vez mais focados em produtos “saudáveis” com ingredientes especiais que têm um efeito positivo sobre o sistema imunológico. Produtos naturais e sustentáveis como “orgânicos” ou “livres de” eram muito populares entre os consumidores antes da pandemia do novo coronavírus (COVID-19), mas se tornaram menos desejáveis. Agora, reivindicações de produtos relacionados à saúde, como “germicida”, “fortalecimento do sistema imunológico” e “promoção da saúde”, estão ganhando enorme importância.

Especialmente para as categorias de cuidados pessoais e cuidados domiciliares, atributos como higiene e saúde se tornarão o novo padrão. Os fabricantes devem se preparar para isso, a fim de (continuar a) reter clientes. Os consumidores costumam estar dispostos a pagar um preço mais alto pelos produtos de assistência domiciliar com reivindicações como “fortalecimento do sistema imunológico” ou “pela proteção da família”.

A importância das reclamações dos produtos variará por categoria e alguns terão uma ressonância mais forte do que outros. Portanto, é fundamental que as marcas entendam quais reivindicações são apropriadas para quais produtos, para garantir que 1) satisfaçam as necessidades dos consumidores e 2) tenham a capacidade de cobrar um preço mais alto se puderem diferenciar sua oferta no mercado – o que será mais atraente para os consumidores com renda inalterada que podem pagar esse “luxo”.

5. E-COMMERCE

Não é novidade que a pandemia reforçou a presença de produtos de bens de consumo de giro rápido no e-commerce. De acordo com nosso mais recente estudo sindicalizado sobre o consumo frente à pandemia, observamos que a esta  contribuiu para uma adoção muito mais rápida do canal, atraindo mais consumidores a cada dia, a maioria dos quais pretende manter o consumo mesmo após a COVID-19.

O crescimento deste canal no futuro dependerá principalmente da satisfação do consumidor em relação à facilidade de encontrar produtos nas diversas plataformas, a preços competitivos e, ao mesmo tempo, que ofereçam flexibilidade e qualidade de entrega.